Uma abordagem, para realmente funcionar promovendo uma
vida signicativa para o ser humano, precisa levar em conta
sua multidimensionalidade.
Somos
seres multidimensionais porque temos que lidar com necessidades,
pensamentos, emoções e comportamentos
de forma que esses elementos se alinhem num todo funcional.
Quando
esse todo funcional se estabelece, sentimos isso como
clareza, satisfação e bem-estar e sentimos
a nossa vida significativa. Nos sentimos em casa na
vida e no mundo.
Porém
quando esse todo funcional não se estabelece,
surgem vários sintomas: falta de clareza, confusão
e dúvida num nível; angústia, insegurança,
frustração e apatia num outro nível;
e ainda mal estar e patologias ainda num outro nível.
Para
que esse todo funcional se estabeleça, muitas
funções associadas as nossas necessidades,
pensamentos, emoções e comportamentos
precisam ser experimentadas, entendidas e dominadas.
Quando
percebemos a sutileza dessas funções e
o nível de atenção necessário
para experimentá-las em detalhe, rapidamente
nos damos conta de que precisamos de um laboratório.
Um contexto apenas para observarmos, entendermos e dominarmos
esse processo.
Mas onde está esse laboratório, essa escola?
Na família? Na escola primária, secundária
ou superior? Na rotina profissional? Nos relacionamentos?
O fato é que poderia estar em todos esses contextos
mas na prática da grande maioria das pessoas
não está em nenhum.
Porque?
A Psicologia Evolutiva, a Psicologia Integral e a Teoria
da Dinâmica da Espiral que, a meu ver, representa
o mais abrangente modelo para entender pessoas, organizações
e sociedades apresentam esse porquê.
Mas
no contexto desse trabalho não adianta falar
sobre isso. Mesmo que se estude e fale a respeito, essa
compreensão não pode surgir antes do aumento
de sensibilidade, clareza e fluxo derivados do processo
de integrar os nossos desejos, pensamentos, sentimentos
e comportamentos diários.
E
quando essa compreensão surgir, já terão
também florescido novas funções
de um nível ainda mais alto: funções
que nos permitem, inicialmente, sentir e, depois, gradualmente
participar, de maneira consciente, no processo criativo
do Kosmos. É um caminho nível-a-nível.
Em
termos práticos precisamos trazer nossa vida,
o nosso cotidiano para esse laborátório
e experimentar, entender e dominar as funções
que estão atuando lá de forma alinhada
ou não alinhada. Precisamos de contrastes para
discernir e assim ter a possibilidade de escolher. Essas
escolhas criarão contexto para novas escolhas.
E assim se desdobra nosso processo evolutivo.
O
termo desdobra é muito adequado uma vez que esse
processo evolutivo já está em nós
como potencial e é desse potencial que vem os
nossos desejos mais essenciais....o nosso Querer Maior!